Diversão Garantida

É estamos em julho. Tempo de férias escolares. Temporada de animações invadindo o cinema. Já temos "Madagascar 3 – Os Procurados" em cartaz. E, agora, "A Era do Gelo 4" ("Ice Age: Continental Drift", no original) invade a telona. E eu fico feliz com a tendência atual de conceber animações voltadas – obviamente – para o público infantil, mas que trazem belas lições para os mais velhos.

É o caso de "A Era do Gelo 4". Um filme leve e inteligente. A receita é simples: trazer o mamute Manny, o tigre dentes de sabre Diego e a lenta preguiça Sid de volta, mais amigos e mais compreensivos uns com os outros – e, é claro, mais unidos do que nunca! Os valores que o filme exala são muito positivos e devem ser disseminados na nossa sociedade de forma veemente: amizade, solidariedade, compaixão e perdão.

Para os mais atentos, vale prestar atenção no contexto do filme, que retrata o deslocamento da Pangéia originando os continentes como conhecemos hoje. E, na seqüência final, vale ficar ligado também na referência a Atlântida, na cena do sempre hilário esquilo Scrat – que volta, no quarto desenho da série, com força total. A produção também traz alguns personagens novos, que dão um gás cômico no contexto: a bela felina Shira, a amalucada avó de Sid, o primata pirata Capitão Entranha que encarna o vilão da história, entre outros.

Talvez seja apenas uma coincidência – ou até mesmo patriotismo da minha parte – mas creio que a saída do brasileiro Carlos Saldanha ("Rio") da direção da série tenha resultado numa perda em termos de criatividade e humor, se compararmos aos três anteriores. Entretanto, as qualidades técnicas permaneçam intactas e o roteiro merece reverência. A direção não passou para a mão de novatos. Tanto Steve Martino ("Horton e o Mundo dos Quem" e "Robôs"), como também Mike Thurmeier (que está na franquia "A Era do Gelo", desde início, como roteirista e co-diretor), já tinham tido algum contato com os personagens da série.

Vale a pena também deixar registrado que se trata de um dos poucos filmes que faço questão de assistir a versão dublada. Nada contra os atores que encarnam os personagens originais. São bons. Porém, tenho certeza que a dublagem de Manny feita pelo Diego Vilela e de Sid, feita pelo espetacular Tadeu Mello dão um colorido a mais aos personagens. O Sid, então, que é um personagem extremamente caricato, engraçado e leve, torna-se gigante na tela com a ajuda do carisma de Tadeu... Proporções estas que eu não sinto ao assistir ao filme em sua versão original. Espero que o ator colombiano John Leguizamo ("Moulin Rouge" e "Efeito Colateral"), dublador oficial de Sid, me perdoe pela crítica!

Gostaria de fazer uma observação: creio eu que, todas as cópias do filme que foram distribuídas para o cinema estão seguindo com um ótimo curta-metragem estrelado por ninguém menos que Maggie Simpson. Sim, a bebê da Família Simpson! São poucos minutos de uma animação muda, que mexeram comigo e eu creio que irá tocar muita gente. Em poucas palavras, este filminho mostra como podemos fazer a diferença. Não precisamos ser especiais, nem maravilhosos. Podemos ser simples e dentro de nosso cotidiano, atuar de forma a fazer o bem. De forma gratuita e despretensiosa. Do modo mais puro possível. Talvez, alguém pergunte: “nossa, como ela conseguiu ver tanta coisa num curta-metragem?” Por favor, não questionem, assistam! Creio que, com um pouquinho de sensibilidade, vocês me entenderão. Fica a dica. É diversão Garantida!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

2019 | Design By Stilo