Disputa Eleitoral: Quem Ganha e Quem Perde

Numa competição é natural que existam vencedores e perdedores. Mas, o que mais importa é em que nível se efetua e se configura a derrota. Vencedores serão sempre vencedores, e milenarmente a história é contada pela visão de quem ganhou e dela se utilizou enquanto pode. Os perdedores são sempre os mais afetados. Numa eleição para cargo público como se apresenta agora a eleição de um prefeito e uma Câmara de Vereadores, existe grande relevância, pois significam quatro anos de administração e legislação do município em que vivemos. A cidade de Niterói tem um milionário orçamento, somados a arrecadação e mais os dividendos do petróleo. O orçamento da Câmara dos Vereadores é maior do que a grande maioria dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro. Ser presidente da Câmara de Niterói é mais importante e detém mais poder e prestígio do que a maioria dos prefeitos do interior. Daí a importância da escolha dos vereadores e do prefeito.

Na verdade o nível intelectual e produtivo da Câmara de Vereadores de Niterói é deficiente. Podemos classificar numa escala de um a dez, que a sua nota é um sofrível quatro e meio. Uma espécie de mais ou menos.

Aí fica a pergunta: e o que se pode fazer para melhorar a situação, visto que já tivemos quase os quatro anos de mandato; e agora nada adianta lamentar, pois o prejuízo dessa má escolha dos vereadores está posto. Agora é procurar ter mais critério e informação para poder votar nos candidatos que realmente possuem condições para o exercício do cargo.

Dos 21 vereadores de Niterói podemos dizer, sem receio de errar, que apenas um terço dos vereadores trabalhou efetivamente fieis ao perfil do cargo. Muitos exerceram funções de secretários do prefeito, abrindo espaço para os suplentes, que por sua vez, nem sempre atuaram como deveriam. Este entra e sai do mandato prejudica o julgamento da atuação como vereador. Os vereadores Beto da Pipa, Luiz Carlos Gallo e Andrigo, por exemplo, levaram quase todo mandato na condição de secretários da prefeitura, embora com bom desempenho na função, contribuindo de outra forma para o município. Mas, objetivamente, não foram vereadores, função para que foram votados, e somente foram “escolhidos” pelo prefeito, por arranjos políticos, facilitando a entrada de suplentes que realmente não conseguiram êxito na eleição.

Existem casos felizes de suplentes que superaram, em muito, alguns “eleitos”. O vereador Casota (Carlos Vaz, do PSDB) foi uma grata surpresa e com desempenho acima da média. Teve dois anos de mandato, e fez muito mais (apresentando excelentes projetos, legislando com objetividade) que uma grande parte dos colegas com quatro anos de mandato. Ele apresentou projetos inteligentes, de utilidade prática e de realização imediata. Não esperou que o povo viesse até ele. Implantou um “Gabinete Itinerante”, montando uma simples tenda numa praça e passou a ouvir às necessidades de todos, e imediatamente agindo para solucionar as questões. Lutou e fiscalizou as Lagoas do município, sem a necessidade de “ostentar” a filiação partidária dos “verdes”. Foi muito mais defensor da ecologia do que muitos ativistas conhecidos. Criou e implantou o projeto “Niterói Talentos”, de caráter social, educacional e esportivo, com visão pedagógica e assistencial, atraindo centenas de jovens sem amparo e orientação. Foram 26 projetos de Lei, e mais de 500 ações legislativas. Realizar um mandato digno dá trabalho, cria inveja e oposições, Mas, com coragem e persistência conduz a vitória. O mandato do Casota representa a real função de um vereador.

A verdade é que analisando os vereadores, e que estão disputando a reeleição, o nosso critério de julgamento é o desempenho durante o mandato. A pergunta que se faz, de quem ganha e quem perde, salvo alguns “espertinhos” clientelistas, que basearam seus mandatos no assistencialismo barato e interesseiro, vão se reeleger os vereadores de tiveram projeto e atuação. E existem mil maneiras de atuar. Destacamos o vereador Paulo Eduardo Gomes, como uma voz necessária dentro da Câmara. Ele pode ser muito ruidoso e incomoda até outros colegas, mas, fiscaliza o executivo sob pressão, e não tem sedução que o convença. Ele não faz acordos e incomoda muito, necessariamente. Presidente da Comissão de Saúde fiscaliza duramente a saúde do município. Tem projetos importantes e é incansável na defesa dos mais necessitados. É um vereador que não se preocupa em ser “simpático”. Faz o que tem que ser feito, independente, correto e fiel às suas idéias. Este merece ser reeleito e o será por mérito.

O vereador Milton Lopes CAL, foi outro destaque nessa legislatura, atuando nas suas bases e desempenhou um excelente papel como presidente da Câmara. Trouxe a todos os colegas e funcionários a confiança de poder desempenhar suas atividades amparadas e estimuladas igualitariamente. Implantou na casa um sistema de isenção partidária, atendendo a todas as demandas sem discriminar ou privilegiar quem quer que fosse. Foi sempre justo, companheiro e o gabinete de porta aberta. A sua passagem como presidente da casa fez história, e certamente será reconduzido a um novo mandato e por direito, à presidência da Câmara.



Para sermos justos citamos também os vereadores Renato Cariello (PDT) e Leonardo Giordano (PC do B), que desempenharam com efetividade os seus mandatos; e o vereador Bruno Lessa (DEM) que fez excelente mandato, mas não concorre à reeleição, pois concorre como candidato a vice-prefeito na chapa do Felipe Peixoto.

Os candidatos de qualidade que nunca tiveram mandato precisam de atenção e zelo. A renovação de vereadores, os quais nunca ninguém ouviu a suas vozes e que passaram quatro anos usufruindo do mandato como se fossem sanguessugas, é uma imperiosa necessidade. Para esses novos candidatos, prejudicados pela pandemia e ausência de apoio e recursos, é saudável ouvir suas propostas e apoiá-los. Esses trazem oxigênio, novas idéias a uma “Câmara Lenta” e carente de gente com entusiasmo e dedicação. Apresentamos algumas opções:


A sentença final quem pode dar é o eleitor. Vão vencer os vereadores que tiveram atuação efetiva e projetos. E quem vai perder? Será o povo se não souber em quem votar. Um projeto de cidade precisa de quem cuide dela como se fosse a própria casa.