Despencando do Paraquedas

Em época de eleições aparecem as mais estranhas e inesperadas estórias. A cerca de uns poucos meses, apareceu na sede do PSDB de Niterói um médico levado pelo tesoureiro Paulo Moreira Leite, que na melhor das intenções, tentava contribuir para o partido ter uma candidatura própria. Havia um vazio e pretensões para a candidatura para a cadeira de prefeito. Existiam muitos postulantes às cadeiras de vereador, mas ninguém se posicionava como candidato ao executivo; até por que esta pretensão pressupõe recursos, experiência, popularidade e liderança. Candidato a prefeito em Niterói precisa ter condições para competir, especialmente por existirem grupos políticos que se revezam no poder e para vencê-los não basta o desejo de competir. Disputa de prefeito em Niterói é jogo pesado e dirigido a quem pode e não para quem quer. Ao ser apresentado, o médico Washington Araújo, anunciou a sua pretensão de concorrer neste futuro pleito. O presidente do diretório o ex-deputado e advogado Silvio Lessa, de início explicou ao pretendente  o elenco de dificuldades, necessidades e requisitos que um postulante ao executivo deve ter. Lessa deu um prazo para que o pré-candidato a prefeito buscasse e apresentasse uma serie de pré-requisitos para efetivar e dar prosseguimento a uma candidatura de tal magnitude.  Washington Araújo, veio da iniciativa privada, onde foi proprietário de uma clínica, mas fez a opção de vendê-la e tornar-se o administrador de confiança de quem a comprou. Ficou a aura de empresário, que talvez pelo hábito, jamais foi desmentida quando assim era apresentado. Na realidade, em que pese as qualidades de bom médico e ter ficha limpa, não significa que possa atravessar o volumoso obstáculo que é uma eleição majoritária, concorrendo com, no mínimo, quatro candidatos fortes, experientes, populares e alguns com máquinas poderosíssimas de governo, municipal, estadual e federal; principalmente por ser inteiramente inexperiente e politicamente ingênuo. Cercou-se de assessorias que nada lhe acrescentaram e talvez até tenham passado informações equivocadas, conduzindo-o a erros incontornáveis. Como ele não tinha tempo e historia partidária e era pessoa recolhida e sem muito convívio social, especialmente com o povo, Silvio Lessa, para ajudá-lo, sugeriu ao deputado Luiz Paulo da Rocha que criasse uma filial do Instituto Teotônio Vilela (que pertence ao PSDB) em Niterói, para que se produzissem palestras, seminários e encontros políticos, empossando-o como seu presidente regional para dar-lhe visibilidade, visto que ele não havia exercido qualquer atividade no gênero. Entretanto, sem que se efetivasse o funcionamento da filial ou produzisse um evento de peso, o “presidente de uma unidade embrionária”, pulando etapas, preocupou-se apenas em imprimir cartões da “entidade em gestação”, com seu nome e foto. Realmente faltou-lhe a justa assessoria que o alertasse para o terrível engano que estava cometendo. Seguiram-se muitos outros equívocos, imprimindo folhetos que confundiam gestão municipal com problemas nacionais, atestando uma incapacidade gerencial de saber, ao menos, o que é da competência municipal, estadual ou da união. Erros infantis de inteira desinformação enquanto almejamos renovação, inovação, soluções práticas e inteligentes. A verdade é que neste pleito não há espaço para experiências e aprendizes do poder. É preciso estar maduro e preparado para uma missão árdua e que exige muito mais que pegar carona em legendas para tornar-se popular para pretensões em futuras eleições, num projeto absolutamente pessoal, e o mais interessante, sem custos. Findo o prazo para preenchimento dos pré-requisitos, o presidente Silvio Lessa, comunicou-lhe, na presença de membros da executiva, o fim da sua pré-candidatura, visto que não foram atingidos os objetivos acordados anteriormente; e se declarou desimpedido de compromissos e que daria início a iniciativas para conversas com outros partidos para possíveis coligações. Washington num ato de “abraço de afogado” agarrou-se a ideia de ser o vice da coligação. De pronto o presidente Silvio Lessa deixou claro que a pretensão dele era ser prefeito e ele não preencheu os requisitos necessários. Para o cargo de vice-prefeito a questão era de caráter partidário e de iniciativa e conveniência do diretório, o que o afastava desta pretensão. Não se trata de um “premio de consolação” para quem não conseguiu ser o candidato majoritário. É uma questão interna, onde existem outros quadros no partido, com tradição e militância, maior popularidade, experiência e o mais importante, com ficha limpa, tanto quanto ele. E isto basta! O partido vai apresentar uma lista tríplice e já existem seis nomes possíveis. Certamente este não é lugar do Washington Araújo. Melhor seria, e mais producente, que como todo iniciante “começasse do princípio”: Se candidate a vereador, contribua para o partido, aprenda o que é uma disputa de uma eleição e vá galgando os degraus naturais do processo.  É preciso não queimar etapas nesta ansiedade pueril de criança novata que entra no ônibus escolar, quer ficar na janela e ditar ao motorista os caminhos a seguir.

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