Deseducando em Horário Nobre

A Presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção ANGAAD e da instituição do mesmo fim, Casa de Ana, Barbara Toledo, escreveu uma carta extensiva à emissora e ao autor da novela Fina Estampa, do horário nobre da Rede Globo, protestando quanto ao tratamento dado à personagem Tereza Cristina, interpetrada por Cristiane Torlone. É que o mote dado pelo autor, Agnaldo Silva, refere-se ao ato da adoção como algo a ser “escondido”, revestindo a circunstância de preconceitos. Insinua, e a personagem tem um perfil portador de transtornos de personalidade, com requintes de crueldade, a ligação objetiva com seus recalques de existência. Ao que fica implícito que tal comportamento se remete ao fato da personagem ter uma herança genética doentia. Barbara Toledo faz referência ao fato de que uma adoção não se deve tratar como caridade e sim como um ato de amor que integra pessoas, forma famílias, independente dos laços de consangüinidade.

A novela faz do tal “segredo” da personagem um ato gerador de intranqüilidade para muitas famílias adotantes, não só pela perspectiva de que este filho possa ter um componente hereditário que o conduza a distúrbios de várias espécies, assim como a questão relativa à sucessão patrimonial, quando põe em dúvida o direito do adotado a herdar plenamente, como os demais filhos biológicos.

Barba está certa. Pecaram pelo gancho do drama e menos importância pela pesquisa científica e jurídica. Todos sabem que não há qualquer garantia de ausência de problemas com filhos adotados ou biológicos. Qualquer pessoa está afeta a distúrbios e transtornos. O fato da consangüinidade ou não, nada garante a plenitude da saúde, física ou mental, de quem quer que seja. Muitas vezes os filhos biológicos são as vítimas das enfermidades, enquanto recebem apoio dos adotados.

Reforço aqui o meu apoio a Barbara Toledo, que conheço lutando por todos estes anos pelo acolhimento de tantos, menos favorecidos inicialmente, circunstância que pode ser modificada pela boa vontade e exercício da completude do amor incondicional.

Sugiro que façamos um grande debate sobre o tema, não só para esclarecimento e didática do processo, mas, para repercutir na grande mídia nacional, atraindo novos adeptos para causa tão nobre e chamar a atenção dos governos a assumirem suas responsabilidades, até então disfarçadas e deficientes no âmbito desta questão.

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