Corona Vírus: Quem é o Culpado e o Que Fazer

Nas últimas décadas surgiram na China muitas epidemias virais graves. Em 1957 surgiu a “gripe asiática” - na província chinesa de Guizhou. Similar do tipo A, o vírus se espalhou na China e por toda a Ásia, e depois em todo o mundo. Foi a maior pandemia desde a gripe espanhola de 1918. Morreram em torno de 1,1 milhões de pessoas.

Em 1968 surgiu a gripe de Hong Kong. Gripe do tipo A (um dos três tipos de gripe sazonal) que contagiou meio milhão de pessoas na China e se espalhou para a Ásia, Europa e Estados Unidos. Essa pandemia matou em torno de um milhão de pessoas.

Em 1997 apareceu a gripe aviária A (H5N1) - fez seis vítimas fatais em Hong Kong. Voltou a aparecer em 2003 no sudeste da Ásia, matando 282 pessoas chinesas e 468 em 15 países diversos. Neste mesmo ano apareceu o vírus da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que se apresentou inicialmente no Sul da China em 2002, transmitida para o homem pelo “civet asiático de palma”, um mamífero selvagem que é vendido nos mercados do sul da China por causa de sua carne. Essa primeira versão do "coronavírus" (vírus em forma de coroa) que é terrivelmente contagioso causa pneumonias agudas, muitas vezes fatais, espalhou terror na Ásia, especialmente na China, Singapura e Hong Kong. A epidemia deixou 774 mortos, de um total de 8.096 pessoas contagiadas em torno de trinta países.

Várias epidemias virais graves surgiram na China nas últimas décadas. E agora, o novo coronavírus que apareceu em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, se espalhou pelo Irã, entrando na Europa, com maior gravidade da Itália e Espanha, em seguida nos Estados Unidos, agora já se encontra no mundo em 172 países. Já superou todas as outras pandemias e já matou mais que qualquer outra.

O coronavírus Wuhan pode ter surgido em uma espécie de tamanduá escamoso conhecido como pangolim; que se alimenta de cobras e morcegos, ditos hospedeiros e transmissores do coronavirus- Covid19. Mamíferos como o pangolim são encontrados em mercados chineses por ser tradicionalmente consumido por lá.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os coronavírus são uma grande família de vírus: alguns causam quadros mais graves, como MERS e SARS, e outros apenas doenças comuns como o resfriado. Alguns agentes infecciosos transmitem facilmente de pessoa para pessoa, enquanto outros não. O tipo que está entre nós, provoca pneumonia e conseqüente insuficiência respiratória. A sua letalidade se deve a combinação com outras comorbidades, como diabetes, cardiopatias, tuberculose e organismos imunodepremidos.

Apesar do alvoroço desmedido que tem causado no Brasil, demandando providências urgentes, muitas, perfeitamente adequadas e outras espalhafatosas e oportunistas, a situação requer muito cuidado: tanto pela possibilidade de expansão do número de infectados, como seguidos casos fatais. A circunstância requer cautela e obediência aos protocolos dos órgãos de saúde. Entretanto, no foco de interesses político-eleitorais, está no cerne de uma grande disputa de interesses pessoais, e põe em risco a população brasileira.

Não apenas o Brasil, mais inúmeras nações foram surpreendidas pela pandemia do Convid 19, que o surto inicial foi subestimado e ocultado pelas autoridades chinesas de Wuhan, (capital e maior cidade da província de Hubei, com 10 milhões de habitantes, onde tudo começou), de forma intencional, e a veracidade do fato já confirmada pelo prefeito da cidade.

Surtos de manejos improvisados e desprovidos de expertise política e diplomática levaram o deputado Eduardo Bolsonaro a fazer no Twiter declarações inapropriadas para a gravidade e zelo que a questão necessita e encerra. Acusou a China de ter “negligenciado” a notificação da epidemia, apontando para uma direção de um plano premeditado, visando benefícios econômicos e financeiros, além de resolução de situações internas, como inflação, escassez de alimentos, compra de petróleo a baixo custo, etc. É uma questão complexa demais para ser tratada na frivolidade e inconsistência de uma rede social.

Embora o raciocínio lógico leve a conclusões pertinentes, é difícil de provar, e pode causar um grave incidente diplomático, de conseqüências e prejuízos inimagináveis. Muita gente defendeu o filho do presidente, por considerar que o fato de ser “filho do presidente” não deveria ser “condenado ao silêncio”, especialmente sendo um deputado Federal. A diferença reside no fato de ser filho do presidente, e não dá para dissociar o deputado da condição de filho. Foi irresponsável, como de resto, costuma sair por aí dizendo o que bem entende sem medir conseqüências. Outros deputados fizeram falas similares, mas não causaram qualquer mal estar diplomático. Um bom exemplo nessa questão, foi o jornalista Alexandre Garcia, ter feito conjecturas muito mais diretas e ricas de detalhes, sem qualquer conseqüência diplomática. Por sua vez, acuado o embaixador chinês, respondeu na mesma moeda ou pior. Foi deselegante, apequenou a questão indo para ataques pessoais, jocoso e desrespeitoso. Ficou, além de tudo, uma sensação defensiva tão abrupta, como quem quer esconder o óbvio. Foi como rato escondido com o rabo de fora. Não sabemos quem foi mais desastroso.

Em seguida, certamente preocupado com os prejuízos que o seu governo terá com uma crise econômica e financeira provocada pela pandemia, o presidente Bolsonaro, tentou numa ação perigosa, minimizar a situação da gravidade do vírus e suas conseqüências múltiplas.

Ameaçou descumprir os protocolos da Organização Mundial de Saúde, confrontou o zeloso e eficiente trabalho do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, desqualificando e contradizendo todos os esforços das equipes de saúde de todos os Estados, propondo, ou decretando o fim do confinamento social. Foi muito infeliz nas suas rudes comparações, vulgarizando e desqualificando, talvez, o pior momento da saúde brasileira. Confrontou os governadores, e partiu para o ataque aberto contra o João Dória, governador de São Paulo; e conquistou o rompimento do seu maior aliado, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Com esta atitude, por mais pragmática que seja, conquistou o mais amargo isolamento político. O maior problema nas falas do Bolsonaro é a falta de clareza no raciocínio, embora a preocupação seja procedente e lícita. A ausência de produção coletiva no país redundará em desemprego e falências diversas. A questão fundamental é como ele constrói suas falas. É muito ruim na comunicação e sempre confuso, provoca novos incidentes.

A grande questão nessa insólita situação é que o centro do problema está na disputa política. A oposição quer a cabeça do Bolsonaro a qualquer preço, ainda que a Nação se dane, que morram todos idosos, que as pessoas fiquem desamparadas e que economia se dissolva. Tudo, com tanto que possam ter uma chance de voltar ao poder. E o pior de tudo é que o Bolsonaro colabora efetivamente. Nunca vimos um “político” que construa as narrativas para a oposição e ofereça tanta munição para ser usada contra ele. É o famoso que levanta a bola para a oposição chutar.

Nesse embate o que menos importa é o corona vírus. Na ânsia de trocarem insultos e estratégias para a queda, o vírus cresce e fica realmente ameaçador.

No momento a voz de responsabilidade e empenho contra a pandemia é a do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, que se faz de surdo à desautorização sofrida pelo Bolsonaro, que sugeriu que a pandemia não passa de histerismo e exagero da mídia contrária, e que ele já tem a medicação eficaz contra o vírus. A afirmação, ainda sem sustentação científica, irritou a comunidade médica, e o antes aliado governador Ronaldo Caiado (que é médico), resolveu romper e chamou o presidente de ignorante.

Será que num momento tão dramático e doloroso, e que ainda poderá ser mais desgastante, o único interesse é o poder e o controle dessa combalida Nação? Ficamos estarrecidos ao termos certeza que a única importância nossa é de ser uma “manada” e massa de manobra.

Lamentável...

O que devemos fazer? Não entrarmos nessa disputa e tratarmos de ouvir e atender o que manda o bom senso e as autoridades sanitárias independentes. Afinal, eles estão atuando na área que realmente conhecem, e não são candidatos a coisa alguma. Cada um vai dosar e calibrar o seu comportamento dentro da ótica pessoal, sem perder a dimensão do risco dos demais. Somos a grande massa com uma intenção simples e clara: queremos ficar imunes e livres dessa pandemia infernal.

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