Coragem, Muita Coragem!

Após grande safra de bons filmes, geralmente, vem um período de "seca". Natural. Mas como gosto demais de cinema, mesmo sem ter um filme específico que queira assistir, acabo indo. Seja por teimosia, seja por simplesmente ter a esperança de, quem sabe, me surpreender.

De forma bastante despretensiosa, fui ao cinema. Os filmes que eu ainda não tinha assistido e que estavam em cartaz: "11-11-11", "Reféns" e "Pronto Para Recomeçar".

E, como eu sou muito, muito corajosa, me propus ver os três numa mesma tarde! Isso é que é bravura. Seriam três bombas na seqüência? Muito provavelmente!

"É teste para cardíaco"! Não porque assisti "11-11-11" na data que confere título ao filme. Mas porque o filme é ruim demais para eu ou qualquer pessoa perder tempo assistindo. Mas, como disse acima, sou teimosa. O longa-metragem, gravado quase inteiramente na Espanha, foi dirigido por Darren Lynn Bousman. Para quem não sabe, Bousman foi responsável pela direção de três filmes da franquia "Jogos Mortais" ("Saw", no original) – o que, de fato, não é cartão de visita de ninguém. O filme gira em torno de um influente escritor ateu que se encontra numa verdadeira conspiração demoníaca. A fotografia cinza-azul-desbotada cansa. O diretor, que também é roteirista, almeja construir um suspense de forma paulatina. O problema é que o resultado final deixa pontas soltas e mal explicadas, rendendo um filme insatisfatório.

Após o final da sessão supracitada, corri para a outra sala. Quem me esperava? Um Nicolas Cage empresário e "pai de família" e uma linda Nicole Kidman "dona de casa". A idéia não tem nada de original. Em "Reféns" ("Trespass", no original), papai, mamãe e filhinha são surpreendidos por bandidos que os fazem de reféns até entregarem todo o dinheiro que os mesmos guardam "no cofre" de casa. O interessante aqui, porém, não é "o prato principal" do filme, mas sim, os acompanhamentos, ou seja, as pequenas reviravoltas que a película propõe. As atuações do casal protagonista são boas, mas o desempenho dos bandidos, interpretados, entre outros, por Cam Gigandet ("Crepúsculo" e "Quebrando Regras") e Ben Mendelsohn ("Presságio" e "Austrália") está bem fraquinho. Na verdade, o próprio roteiro deixa os seqüestradores bonzinhos demais, o que detona a credibilidade da atuação deles. Para quem irá assistir, a dica é prestar atenção nas pequenas pistas sobre os segredos da família. Afinal, sem atentar às pequenas questões adicionadas à trama, o longa fica morno e comum, não passando de um filme de suspense tradicional e repetitivo.

Para terminar, encarei "Pronto para Recomeçar" ("Everything Must Go", no original). O drama, dirigido pelo estreante Dan Rush, trata da superação. Afinal, quando estamos mais "abandonados" é que somos mais "livres" para tomar decisões inovadoras, que nos farão mudar de vida. Obviamente, no momento de dor e luto, não é simples enxergar o mundo de possibilidades que se escancara diante de nós. Mas, é preciso tentar abrir os olhos. Não, o filme não chega a esse grau de análise. Muito pelo contrário. Ele é raso e não vai até esse ponto. Mas, com boa vontade, acaba deixando uma bela mensagem. Will Ferrell – sim, aquele comediante "ex-Saturday Night Live" – surpreende. Depois de provar que é bem mais do que um humorista no filme "Mais Estranho que a Ficção" (Stranger Than Fiction, no original), ele volta aos cinemas em boa performance. Ferrell é um alcoólatra em tratamento que perde o emprego e é abandonado pela mulher, passando assim, a viver no jardim de sua casa, com sua mobilha. O filme não é um primor, mas, comparado aos outros dois, é interessante.

Realmente gostaria de falar sobre filmes melhores... Porém, acho que, tão importante quanto falar sobre bons longas, é alertar quanto às “bombas”. Sendo assim, antes que sua paciência exploda dentro do cinema, e você não agüente até o final da sessão, não seja tão corajoso – ou complacente – quanto eu e escolha bem seus filmes. Bom final de semana!

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