Convid 19: Entre Erros e Acertos

Pois é... Parece que o mundo virou de ponta cabeça e certamente, passada esta “emergência”, teremos que instintivamente ou forçosamente repensar o nosso modelo de existência. Ficamos sempre no discurso avizinhado falando mal do Brasil como se ele fosse o maior problema mundial. Ficou provado que não. Nações muito mais antigas e mais “civilizadas” encararam o Convid 19 de forma mais atabalhoada, mostrando as suas deficiências ou mesmo a face mais frágil. Ficou provado que não se trata de quem é melhor, mais rico ou maior. Este vírus de face polêmica e traiçoeira mostrou-se oportunista, ao sabor da sua própria sobrevivência e permanência destrutiva. Independente das diversas teorias, inclusive de conspiração, que tenta provar a intencionalidade e criação do “invasor desconhecido”, esse novo vírus é resultado de outras mutações do Corona Vírus, cotidiano e velho conhecido na Ásia, especialmente na China. Outros Coronas, que infestam milhares de asiáticos anualmente não são tão temidos, e talvez por esta razão foi subestimado e deu no que deu. Desde o inicio de janeiro desse ano que vinha contaminando muita gente, mas, não se quantificou o risco, ou houve “silencio conveniente” dos chineses, acreditando que poderiam conter o avanço do vírus, o que permitiu a sua expressiva expansão. É claro que os adeptos à “Teoria da Conspiração”, aventaram milhares de razões e intenções dos chineses, chegando a sugerir o início de uma guerra sem armamentos bélicos, afirmando a “invasão chinesa” no mundo.

No Brasil foi subestimado e não foram implantadas medidas de contenção durante o carnaval, período que se estima ter havido contágios silenciosos.

Naturalmente os chineses não costumam perder oportunidades de negócios e expansão comercial, tal qual uma new-colonização de tempos modernos. Em função dessa agressividade de mercado, muitos levantam as suspeitas de intenção criminosa na disseminação do novo Corona Vírus. A China tem um padrão de comportamento habitual que é de tirar proveito econômico financeiro das crises, comprando barato as empresas em dificuldades durante a crise e na pós-crise. Faturam horrores nessas circunstâncias. Entretanto, a despeito dos “conspiracionistas”, devemos tirar lições desse episódio. A primeira e evidente deficiência, de quase todos os países infectados, incluindo os maiores e mais desenvolvidos, é que nenhum estava devidamente preparado para enfrentar de imediato uma epidemia veloz e letal. A infra-estrutura dos sistemas de saúde se apresentou frágilizada, colocando o Brasil numa situação de vantagem em relação a quase todos. Com exceção da Alemanha que trabalha com prevenção, todos naufragaram, com resultados desastrosos como Itália e Espanha. Fala-se muito da penúria da saúde brasileira, mas o Sistema Único de Saúde- SUS, é um dos melhores do mundo. É mais abrangente, democrático, eficiente (embora tenha muitas falhas), e é mais ágil do que se sabe. Esse “direito” à saúde do Brasil não acontece em países desenvolvidos e ricos, como os Estados Unidos. O Brasil é o líder mundial, com o melhor e mais abrangente sistema de atendimento e tratamento do HIV. Todo brasileiro infectado tem direito ao tratamento, com todos os medicamentos custeados integralmente pelo governo. Infelizmente, por distorção intelectual e ideológica, (se podemos classificar assim), andaram e tentaram diminuir os recursos para este programa. Absurdamente, até porque, ainda é, na totalidade, considerando todas as vertentes, mais barato assim, do que deixar morrer milhares de infectados existentes no país, e permitir a expansão da contaminação descontrolada. Este episódio do Convid 19 aponta para o modelo equivocado de centralização e controle de determinados segmentos. É inadmissível que a Índia controle quase a totalidade dos insumos químicos para fabricação de todos os medicamentos no planeta. É inadmissível a China controlar uma centena de seguimentos industriais, sendo muitas vezes, o único fornecedor de determinados produtos. A China só não é auto-suficiente na questão alimentar. O Brasil é um dos maiores fornecedores de proteínas para a China. Eles compram de tudo, com enfoque pesado na proteína animal, soja e outros grãos, como milho e feijão. Fora isso, a Apple, uma das maiores empresas de tecnologia da comunicação, tem os seus componentes básicos fabricados na China, que tem um sistema totalitário, comunista, com uma necessidade imensa de uso da sua mão de obra, que a torna uma das mais baratas do mundo. O Japão, tradicional opositor da China a milênios, tem imensa dependência para fabricação de sua indústria eletrônica e automobilística. Quando se fala em televisores, câmeras gravadoras, reprodutores de áudio e vídeo, além de computadores e transmissores de informação, estamos falando do Japão, seguido por Coréia do Sul e Taiwan. Mas, a maioria dos componentes vem da China. Até a indústria automobilística, como Toyota, Mitsubishi, Honda, Nissan, Suzuki, Kawasaki, Yamaha e outras, dependem de componentes chineses. Além dos eletrônicos da Nikon, Citizen, Canon, Casio, Fujifilm, Hitachi, JVC Kenwood, Mitsubishi Electric, NEC, Olympus, Nintendo, Sony, Toshiba, Pioneer, Panasonic, Ricoh, Seiko, Sharp, e TDK , são “meio chineses”. E os telefones celulares? Depois da Coreana Sansung, os japoneses comandam, mas, com componentes fabricados na China. Entretanto, um único produto chinês na telefonia celular, Smartphone Xiaomi, já se espalhou pelo mundo e ameaça todas as outras marcas, inclusive a Apple, com o seu famoso Iphone. A Coréia do Sul vem na cola dos Japoneses e em muitos casos já lidera, mas, também depende da China. Nessa crise do Convid 19 ficou provado que este modelo está errado. Ou Mudamos esta configuração, distribuindo “funções” ou vamos terminar numa escravidão planetária, se não resultar numa guerra sangrenta. Esta forma capitalista cruel vai afundar a todos. No Brasil, além da crise viral, temos outros problemas, que já vinham desde a mudança de governo no país, mas, que por puro oportunismo, foi intensificada a disputa. A oposição a Jair Bolsonaro tem feito de tudo para tirar proveito da situação. Espalham fatos bem plantados e exploram a falta de maturidade emocional do presidente, que tropeça nos próprios passos, empurrado por maus assessores e filhos desastrados. Bolsonaro está mais para sargento do que para estadista. Chegou à presidência pela conjuntura apropriada para um opositor raivoso, que pegou carona na indignação nacional, pelos desastrosos e inaceitáveis anos da vigarice petista, e venceu as eleições. Era para ter feito uma passagem honrosa, de faxineiro da quadrilha do PT e aliados desonestos, e colocar o país nos trilhos, preparado a Nação para a vinda de um estadista de verdade. Teria feito o melhor para o Brasil e seria um eterno herói nacional. Mas, imitando o presidente americano, alimenta-se de demandas, contendas e crises. É um sargentão no campo de batalha. É humano e vaidoso como qualquer um. Essa “historia de mito” subiu-lhe a cabeça e concentrou-se na perspectiva de reeleição no primeiro ano de governo. É claro que tanta falta de habilidade política lhe rendeu oposições em todas as frentes e concomitantes. Jamais na história brasileira um presidente foi tão combatido, perseguido e impedido de governar. Essa saga de perseguição e vitimização neurótica o faz criar inimigos nos mais diversos níveis. Partiu para um confronto vingativo contra a maior Rede de Televisão do país, e está claro que sua intenção é cassar a concessão assim que se completar o prazo contratual. Além de cortar todas as verbas de publicidade (para quem era isolado o maior contemplado das verbas oficiais), passou a cobrar a grande dívida fiscal que há anos vinha sendo “rolada” sem perspectiva de pagamento; além dos empréstimos bancários estatais. Virou briga de rua no submundo. Desesperada a Rede de TV concentrou seus noticiários na caça de erros do governo e faz a leitura tendenciosa, até dos possíveis acertos. São negados os méritos, mostrando-o como um trapalhão, grosseiro, medíocre, preconceituoso, e acima de tudo beligerante e insensato. O dia começa e acaba com agressões desesperadas, mas que provocam em Bolsonaro um desgaste incomensurável. Veio o Corona Vírus, e a demanda aumentou. Bolsonaro, ao invés de governar para administrar a crise e crescer como mandatário, começou a confrontar-se empiricamente com o ministro da Saúde, que até parecia ciúme de um possível concorrente no futuro. O presidente teme qualquer um que faça “sombra” à sua imagem, e parte para desconstrução imediata. Embora as suas preocupações quanto à economia estejam certas, ele não sabe se expressar e cria atritos até com posições que o colocaria em vantagem. Bate de frente e como uma criança sem limites, transgredindo com atitudes desafiadoras, mede forças e constrange auxiliares. O episódio do remédio “Hidroxicloroquina”, que é um fármaco usado na prevenção e tratamento de malária e lúpus, mas apresentou-se como opção positiva para tratamento do vírus (que até o momento não tem nada efetivo que o destrua), foi assertivamente defendido por Bolsonaro para uso imediato. Faltou habilidade na forma da defesa do fármaco, principalmente por ele não ser da área da saúde, não haver ainda comprovação cientifica da ação ativa do remédio, que tem contra-indicações perigosas; e a sua administração, preventivamente, deve ser feita sob controle médico, e de preferência para pacientes internados e assistidos. O ministro da Saúde Henrique Mandetta, inicialmente foi cauteloso e não abraçou a ideia do uso da cloroquina. Bolsonaro irritou-se e passou a confrontá-lo sem fundamentos técnicos e científicos; apenas porque alguém da sua confiança afirmou a indicação exitosa do fármaco. Agora, a partir da experiência do médico André Kalil, que contaminado tratou-se com cloroquina e azitromicina, fortaleu-se. Kalil inicialmente negou o uso, mas, finalmente confessou ter usado para seu tratamento e que usou em outros pacientes com sucesso. O ministro da Saúde rendeu-se e já autorizou o uso do medicamento, com responsabilidade do médico que assiste o paciente. A imunologista Nise Hitomi Yamaguchi defende o uso da hidroxicloroquina e da azitromicina em pacientes até o segundo dia da infecção sintomática pela Covid-19. Ela está na equipe do Gabinete de Crise do governo, e está muito próxima de Bolsonaro. Tem sido apontada como possível substituta do ministro Mandetta. Só teremos uma visão mais exata de tudo isso, quando o tempo nos distanciar da crise vivida; e possamos sem paixões analisar ganhos e perdas. No mais, é especulação tonta no meio da crise.

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