Centenário de Luiz Antonio Pimentel

Este é o ano do centenário do Jornalista, poeta e fotógrafo Luiz Antonio Pimentel. Muitas homenagens e comemorações estão programadas. A grande vantagem de tudo isso é que ele está vivo, saudável e atuante. Tem na bagagem uma estória de vida cheira de realizações, aventuras, episódios políticos e um estilo de viver invejável. Entre tantos talentos, Pimentel, tem a capacidade de absorver informações e reproduzi-las com uma leitura própria e com humor cáustico.

Em conversa com o poeta Paulo Roberto Cecchetti, seu amigo e companheiro, ele fez comentários sobre sua vida. Pinçamos alguns momentos e passamos a reproduzir.

Com quem conviveu: Mário Rodrigues, do jornal "A Manhã". Ele, pai do consagrado Nelson Rodrigues e do Mário Rodrigues Filho, que escrevia crônica esportiva e deu o seu nome ao Estádio do Maracanã. Irineu Marinho, pai dos "marinhos todos"... Inclusive Roberto Marinho de O Globo; João do Rio, grande jornalista. O Barão de Itararé. Ele me chamava carinhosamente de "Pimentelzinho". Ele tinha uma passagem engraçada com Getúlio Vargas. Ambos gaúchos, o presidente encontra com ele numa solenidade e diz: "Oh, és tu Barão?!" que imediatamente responde: "Não, tu-barão é vossa excelência!!!"

Como Compositor:” É. Carmen Miranda mostrou interesse e gravou, em 1935, uma música junina, parceria minha com Mário Travassos de Araújo. Carmen era a estrela da Rádio Mairynk Veiga, a "Pequena Notável"!

O Japão na sua vida: Eu fui para o Japão porque precisava defender a minha pele... Estava marcado para ser torturado e morto... Eles me ameaçavam... Eram os fascistas, os integralistas (que era uma forma de fascismo nacional). O Japão me deu um verniz de civilização oriental! Como pretexto, disse que gostaria de estudar jornalismo japonês e conhecer escolas profissionais. Morei em Tóquio. Depois de terminar minha bolsa de estudo trabalhei no Consulado de Yokohama e na Rádio de Tóquio (fui locutor de língua portuguesa). Aprendi costumes, dança, história, a arte japonesa... A gueixa tem uma educação especial... Ela aprende na escola desde a infância até a velhice... Está sempre aprendendo para ter condições de contar a história de qualquer região. Quando você tem contato com a gueixa você adquire um manancial incrível de cultura e de folclore japonês.

Retorno ao Brasil: Getúlio Vargas sabia de tudo que estava acontecendo por lá... Ele namorava o Japão e pretendia trocar nosso café de péssima qualidade pela vinda do japonês para implantar e desenvolver aqui a siderurgia. Quando regressou num navio de troca de prisioneiros chamado "navio de evacuação", os brasileiros logo apelidaram de "cocô-maru"! Aí Getúlio disse para o seu assessor: "Não esqueçam do Pimentelzinho!".      Academias Fluminense e Niteroiense de Letras: Na Fluminense eu levei 42 anos para tomar posse... É recorde! Poderia entrar no Guinness Book! Na Niteroiense é fácil, pois há reuniões às quartas-feiras e sempre tratando de cultura com palestras de acadêmicos.

Fundador da Sociedade Fluminense de Fotografia: A SFF armou uma sala com fotografias que eu tirei há cinqüenta e dois anos atrás, quando mandamos para vários países. A associação é reconhecida em todo mundo!        O haicai: Eu trouxe do Japão o cânone e a história do haicai! A rigor é uma história da era da deusa Sol. Naquele tempo o japonês já fazia sua poesia, que hoje chamam de tanka (poesia curta) e uaka (poesia de trinta e uma sílabas). A língua japonesa não tem rima. As frases terminam sempre com verbo. Bashô determinou que o haicai tivesse um grande lirismo!