Cenários da Eleição Municipal de 2020

Sobre a eleição e sucessão municipal em Niterói, que ainda faltam onze meses, existe muita expectativa e curiosidade. Muito foi falado a respeito das últimas matérias publicadas aqui no Diz, onde fizemos um painel de hipóteses e possibilidades; e para alguns ficou parecendo que a eleição se desenvolve e resume-se ao grupo do prefeito, que por hora não tem um candidato definido. Fica uma falsa expectativa de que tudo se resume a uma indicação do prefeito, para qualificar e dar impulso ao suposto candidato da “maquina municipal”, e mais dois ou três candidatos opositores.

Tudo bem... Como já afirmamos, ter a máquina da prefeitura trabalhando pelo candidato vai alavancar algo em torno de 18 a 22% dos votos válidos do primeiro turno, o que representa uma bela vantagem; e dependendo da pulverização dos votos, garantirá uma vaga no 2º Turno da eleição.


Entretanto, guardando (cautelosamente) as devidas proporções, com respeito ao tempo e possibilidades diversas de acontecimentos, podemos avaliar apenas o presente. O retrato do dia, e uma leve e distante perspectiva das chances de cada um. Mas, no dia da eleição a configuração pode ser inteiramente diferente do dia de hoje. E estamos falando apenas do 1º Turno e quem poderá chegar ao 2º Turno. Que será outra eleição, um capítulo inteiramente separado.

Vamos “desenhar” prováveis cenários, diferentes da situação da indicação do candidato do prefeito e o que poderá ser concorrente (s) da máquina municipal, e a disputa do segundo turno terá outra composição. - O primeiro cenário é que apesar da máquina municipal, dependendo quem seja o candidato oficial, poderá não chegar ao 2º Turno. Se não tiver um bom candidato (com possibilidades de votos), este percentual possível, vai se tornar muito menor, e independente de toda pressão da máquina talvez não chegue a 15% dos votos. Só esta perspectiva já muda completamente o cenário da eleição.

- O segundo cenário é haver um crescimento da imagem e popularidade do presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele tem dois possíveis caminhos: ou se desgasta muito nas suas contendas e perde popularidade, ou consegue mais uns três ou quatro acertos governamentais, do tipo: queda brusca do desemprego, fortalecimento expressivo da economia, queda da violência e aumento da segurança pública, melhorias na saúde e educação... Pronto. Retornará aos patamares de influência que desfrutou durante sua eleição, apesar do seu brusco comportamento e da oposição ferrenha que sofre. Estará com chances reais de emplacar o seu candidato, seja lá quem for. E nesse caso, se o Bolsonaro decidir, a probabilidade maior será da escolha do deputado Carlos Jordy.

- O terceiro cenário refere-se ao Comte Bittencourt. Se depender do PDT (de Carlos Lupi) que é o partido do prefeito, Comte não será o escolhido da máquina, apesar de estar bem eleitoralmente nas pesquisas internas. Rodrigo Neves, informalmente apresenta um leque de muitos pretendentes e não mostra tendência objetiva para sua escolha. Poderá, dependendo da pressão partidária, não escolher o Comte como o candidato oficial. Aí, existe outra possibilidade menos falada, mas, possível: o DEM, de Rodrigo Maia, mas, de Eduardo Paes, está se movimentando, provavelmente para tornar-se o que foi o MDB no passado. Vai ter inúmeros candidatos vitoriosos nesta eleição municipal, com muitos vereadores e prefeitos espalhados pelo país, e ainda com possibilidade real de Eduardo Paes ganhar eleição no Rio de Janeiro. Comte e Paes são amigos e foram candidatos junto na eleição passada ao governo. Uma coligação do Democratas com o Cidadania, faria Comte o candidato em Niterói, com forte suporte eleitoral e financeiro.Comte tem grande chance de chegar ao 2º Turno. O DEM vai investir pesado no seu candidato coligado, pensando nas futuras eleições de 2022, onde Rodrigo Maia, poderia ser um vice presidente cobiçado, dado a capilaridade eleitoral do seu partido. Se Maia não sofrer nenhum revés judicial diante das denúncias de Caixa 2, e sobreviver até lá, pode até pensar em candidatar-se a presidência da República. O complicador nessa estória de Niterói é se o advogado Sergio Sveiter, que é do DEM, pleitear a vaga de candidato a prefeito pelo partido. Poderia ser vice do Comte? Poderia, mas achamos difícil esta composição, apesar de que em política tudo é possível. Mas, a despeito de ser um “cenário”, esta possibilidade é viável para chegar ao 2º turno.

Em tempo, Rodrigo Neves andou conversando com Rodrigo Maia, do DEM. Daí pode sair uma coligação mais extensa, e o PDT indicaria o vice na chapa de Comte Bittencourt. Provavelmente seria o vereador Renato Cariello. Aí seria uma chapa muito equilibrada, pois teria o apoio do PDT, o Cariello é bom de voto na Zona Norte, e iria contemplar todos os interessados.

- A outra possibilidade é o governo do Bolsonaro perder popularidade, e o governo do Rio de Janeiro com o governador Witzel ficar pior do que já está. Com o insucesso das correntes de direita, a esquerda começaria a reaparecer no cenário. Aí, será a vez de Flavio Serafini, que é sem dúvidas a melhor opção da esquerda. Como se sabe, o PSOL tem um teto de votos que vem paulatinamente crescendo. Se houver uma situação favorável com o desgaste da corrente da direita, o voto de protesto acontecerá da mesma forma como acorreu na “onda Bolsonaro”. O voto de repúdio a um sistema tem as mesmas características. É um voto de negação e reação. Isso impulsionaria Serafini para o 2º Turno, e aí, caberá ao PSOL montar suas alianças para vencer as eleições.

- Outro cenário possível é haver uma serie de episódios desmoralizantes, apontando práticas corruptas de muitos políticos com reflexo nos políticos de Niterói. Cresceria uma “Onda Legalista e Moralista”, clamando por políticos limpos e distantes dessas práticas. Seria o cenário ideal para o vereador Bruno Lessa, que é inteiramente inatacável moralmente. Por representar a correção moral e a postura ética, tornar-se-ia a figura ideal e representativa do desejo de todos. Este seria o momento ideal para Bruno Lessa.

- Existe ainda a possibilidade (hipotética, mas possível) de haver muito conflito entre estes candidatos mais populares, e cansar o eleitorado; que votaria num candidato que estivesse fora destes atritos. Apareceria um candidato conciliador que caminharia pelo “caminho do meio”, voltado para o trabalho como gestor, e imune aos confrontos políticos. Seria a vez de Adroaldo Peixoto Garani, advogado, que está afastado da política há uns anos, mas, já foi deputado Estadual duas vezes, subsecretário de transportes do governo de Rosinha Garotinho, e não há denúncias de irregularidades contra ele. Foi superintendente da antiga CERJ e presidente da Imprensa Oficial. Apresenta-se como opção fora do atual contexto político.

Estes são cenários possíveis para o segundo turno da próxima eleição municipal. Se nada ocorrer, como inusitados acidentes, como a morte, existe um candidato que tem uma memória eleitoral de 92.205 votos que é Felipe Peixoto. Este sofrerá o combate impiedoso dos adversários, e terá contra si inúmeras conspirações; mas mesmo assim, estará no segundo turno de 2020 em Niterói. Tem sido apontado em pesquisas como favorito ao 2º Turno. Ou seja: teremos um segundo Turno disputado entre Felipe Peixoto e outro candidato. A partir daí, será outra eleição, com previsões imprevisíveis. Tudo dependerá das alianças e sorte do candidato.

Esquecemos de dar ênfase a este pré-requisito, mas numa eleição é muito importante o candidato ter o fator sorte. E é pra lá que nós vamos!

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