Casamento e Celular

Cheguei a algumas conclusões depois de muitos anos exercendo a advocacia.

O advogado escuta muitas histórias e estórias. E são casos muitos interessantes. Alguns casos beiram a verdadeira ficção.

Sempre digo que casamento foi feito para dar errado e que somente sobrevive com muita determinação e inteligência dos casais. Mas agora a possibilidade de divórcio e outros problemas familiares têm um aliado: o celular.

Já tem caso de divórcio por causa do excesso de uso do celular e falta de atenção ao marido/esposa. Falta de atenção aos filhos já é uma realidade.

Desde quando a sociedade inventou o casamento (muitos afirmam que foi o cristianismo que deu o primeiro passo, no início dos anos 1000), ele vem demonstrando que a evolução humana tem que estar sempre à frente.

Porém, as sociedades nem sempre evoluem de forma positiva.

A sociedade brasileira, por exemplo, se tornou extremamente impaciente e vertiginosamente sensível. Principalmente nos tempos atuais em que a velocidade da informação é tão grande que as relações praticamente estão em segundo plano. Isso porque em primeiro plano está, muitas vezes, a satisfação material, a alucinação dos “likes” nas redes sociais, entre outros...

Estamos contaminados pelo “amadorismo do fazer de qualquer maneira”, o que vem trazendo para muitos lares a ausência de respeito, a falta de luz nas idéias e a maturidade se transformando num flagelo da ignorância cibernética.

Muitos casamentos se foram pelo que decidi chamar de “efeito cabeça baixa”. Essa expressão indica que um casal está em silêncio 90% do tempo. E a causa pode ser atribuída às redes sociais. O casal leva para a cama o celular. Pronto.

Todo mundo mergulha e fica um tempo enorme passeando pelas redes sociais ou navegando. Mas, quando isso já toma muito mais tempo e quando no carro se escutava músicas e hoje somente o motorista consegue fazer isso, sendo que o passageiro sempre está na de cabeça baixa no celular, o perigo está instalado.

Filhos que estão no carro também. Cada um com o seu fone de ouvido, sequer se importam com quem ou onde estão. E é essa família que se dirige ao lar. E por lá se mantém “des” ligados de tudo e com a cabeça baixa.

Um silêncio ignorante, sem pausa e que vai minando as relações familiares. Ninguém se conhece mais. É o começo do desfazimento familiar.

As idéias estão no celular. A conversa está no celular. Os amigos estão no celular. A família, não. Ele está viva e agonizando, mas viva.

O casamento, então, entra numa espécie de transe porque a esposa não está agindo como “aquela mulher do vídeo do grupo do whatsapp”. O marido não resolveu aquele problema que o cara cheio de atitude diz ter resolvido no vídeo do Facebook. São os comparativos que a ignorância fez chegar.

Todos nós perdemos para o Google, claro! Atualmente, estamos cheios de informações. Aliás, digo que estamos cheios demais dessas informações. Nossa capacidade de processar essa montanha diária de informações, fake news, “áudios intermináveis” ainda está com base no século passado. Nossos cérebros não estão treinados, ainda.

Somos seres humanos. Humanos! Máquinas e eletrônica não são biodegradáveis em nossos cérebros.

Se continuarmos a dar as costas para a nossa família, sem percebermos, estaremos dando fim a algo muito bonito e que vinha alimentando a humanidade por muitos séculos.

Família e casamentos estão ameaçados por celulares e internet. Inimaginável realidade.

Obs.: Adoro tecnologia. Não sou contra a celular e internet. Nós é que estamos usando de maneira errada e descontrolada.

Quem descobrir uma maneira de resolver isso vai ganhar o Prêmio Nobel. Talvez o Prêmio Nobel da Paz porque estará salvando a sociedade familiar.

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