Brasil: Ou Muda ou se Destrói

Todos se lembram da expressão “fiquei entre a cruz e a espada”, ou “entre a cruz e a calderinha”, indicando um dilema extremo. Cristaliza-se como o famoso dilema de Sofia, livro do escritor americano William Styron, onde a polonesa Sofia Zawistowka, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, é forçada a escolher entre seus dois filhos, Jen e Eva, qual deles seria morto pelos nazistas na câmara de gás.

O Brasil vive hoje esta situação de extremos políticos, na polarização desgastante entre a esquerda e a direita. É como se não houvesse alternativas, e o país se divide cada vez mais, no meio de uma guerra de narrativas, quase todas tendenciosas.

O dilema de escolha brasileiro é entre um combalido e desgastado Lula, que se agarra num discurso de vitimização, tenta convencer a todos do impossível. Sem nenhum escrúpulo e em total desacordo com a verdade comprovada, que ele é inocente, perseguido e a “alma mais honesta do mundo”. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e sem o vírus da paixão política sabe que Lula chefiou o maior esquema de corrupção, e dilapidação do patrimônio e do moral do Brasil, de toda sua história. É inaceitável o seu retorno ao comando da Nação.

Do outro lado, também no extremo e sem nenhum bom senso, equilíbrio, organização do pensamento, e numa beligerância absurda está o presidente Bolsonaro, que surgiu como solução no meio do cansaço da roubalheira e aparelhamento do país, liderada pelo PT e seus aliados desonestos. E aí, fala-se e clama-se por uma terceira via para ajustar e humanizar o Brasil, sem corrupção e banditismo, e sem a falta de empatia e destinos que apontam para a violência, intolerância desumana e ausência de perspectivas de progresso e democracia.



O Brasil está exausto e dividido, no meio de uma crise sanitária sem precedentes, magoado, triste e carente de uma voz que chegue para unir e pacificar a Nação. Estamos convivendo com tantos desvarios, que nos questionamos sobre a saúde mental do país. Afirmar que estamos sendo governados para dias melhores é a certeza que ainda teremos muito que chorar, além das nossas perdas cotidianas de parentes e amigos, mortos pelo Corona Vírus. Beiramos a meio milhão de mortes reais, próximas de todos. Não há ninguém nesse país que não tenha perdido, pelo menos, um amigo ou um conhecido. A pandemia é real, cruel e quase indefensável. E os meios possíveis de resistência foram boicotados, relegados a desimportância, minimizados e até ridicularizados. As vacinas, principal elemento de defesa, foram ridicularizadas, difamadas, impedidas de transitarem e salvarem tanta gente.

O vírus, inevitavelmente provocaria mortes, especialmente dos mais debilitados por comorbidades diversas, mas, se as vacinas tivessem sido priorizadas, distribuídas maciçamente e acima de tudo apresentadas ao povo como algo bom e salvador, jamais teríamos este dolorido e vergonhoso número de mortes.

As “apostas” deste governo de mil equívocos nos transformaram numa espécie de paria do mundo, imundo e contagiado. É impossível negar o negacionismo, um instrumento torpe e impiedoso, conduzindo a todos a esta vergonha internacional. Acreditaram e promoveram a tal de imunidade de rebanho, acreditando que se muita gente se contaminasse, ficaríamos imunes e por um custo muito baixo. Pensaram: “Para que comprar vacinas, se a maior vacina é o vírus e com contágio?” Em síntese, esse é o discurso do presidente da República. Ele friamente acreditava que teríamos que ter alguns mortos, como uma espécie de efeito colateral. E que o povo contagiado e combalido seguiria tocando a economia. Todos ganhariam, com um custo relativo de “alguns mortos”; afinal declarou que é messias, mas, não faz milagres.

Não cadê nem fazer analises desse atual governo, pois em algumas questões acertou, como no término de obras inacabadas, abertura de novas estradas e desaparelhamento do mal petista nos cargos do governo central. Fora isso, restou a intolerância, o preconceito e a estupidez do discurso de características neofacistas.

A alternativa será outro presidente da República, que democraticamente possa dialogar com todas as correntes ideológicas, refazer o convívio pacifico entre correntes diversas e oferecer algo aceitável para todos. Um governo democrático, mas progressista o bastante para atender ao conjunto de carências brasileiras e restaurar o sentimento de pátria única, que pode divergir sem agressões, ameaças e conflitos inexplicáveis.

O governo Bolsonaro se nutre de conflitos, antagonismos e muito ódio. Precisamos de paz para repensar o país, recuperar os postos de empregos, criar mais órgãos de controle das finanças e oportunidades públicas. O que pertence à Nação pertence a todos e deverá ter um olhar mais abrangente e voltado a atender aos mais necessitados. O Brasil, sem ódio, precisa de saúde e educação. Mais oportunidades igualitárias e menos desperdício. O Brasil quer a cultura como instrumento de propulsão e integração nacional, respeito à criação e as artes em todas as modalidades.

O Brasil necessita de reformas políticas, menos concentradoras de poder. Os partidos e sindicatos devem existir como meios associativos espontâneos. É preciso permitir e dar voz às candidaturas avulsas, sem partido e sem controles institucionais, além da razão e da lei. Uma espécie de caminho do meio.

E quem poderia representar esta vertente? Precisamos construir novos nomes, ou ampliar espaços de candidatos já existentes, mas, ainda muito carente de divulgação e conhecimento público. Muita gente cita pessoas como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de 36 anos. Em que pese a sua progressista e jovial atuação, carece de fixação e divulgação nacional da sua imagem. É pouco conhecido e terá dificuldades numa eleição presidencial.

O governador João Dória, por tantas disputas e desgastes precoces, terá grande dificuldade numa eleição presidencial. A capilaridade do seu partido, o PSDB, diminuiu muito. Perdeu uma grande liderança, vitima de um câncer generalizado, o prefeito de São Paulo Bruno Covas. Talvez seja mais prudente para Dória tentar a reeleição para governador de São Paulo.

O ex ministro e governador Ciro Gomes se apresenta como uma alternativa. Entretanto, não conseguirá abrandar a sua origem conservadora, nascimento abastado e pouca tolerância, vitimado pela cultura autoritária do Nordeste. Ciro é um coronelão nordestino com um discurso de esquerda seletiva, mas, preso às amarras do autoritarismo secular.

Luciano Huck é verde eleitoralmente, sem capilaridade política e apesar de ser muito conhecido, não convence para tal empreitada. Deveria iniciar por cargos mais fáceis de conquistar como deputado Federal, e ganhar musculatura como político. Vai amadurecer e quem sabe, não será uma boa opção futura.

O ex juiz e ministro da Justiça Sergio Moro também é cogitado. Sofreu imenso desgaste de imagem e dividiu opiniões. Não tem vivências políticas, e seria mais lógico não queimar etapas. Será um bom candidato a deputado Federal, ou até quem sabe, candidato ao senado. A presidência da República requer mais vivência e manejo.

João Amoedo, do partido Novo, embora tenha disputado e perdido uma eleição para presidente. Continua “novo e verde”. Poderia, como os demais, começar como deputado Federal. Já seria bastante.

Guilherme Boulos do PSOL, ainda tem muito para amadurecer. Faz um discurso radical e que teria muita dificuldade para governar uma nação múltipla e continental. De extremismo, já nos basta a família Bolsonaro.

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) se apresenta muito bem, tem talento e manejo para governar e conviver com diferenças. Entretanto, carece de consolidação de imagem e muita gente não faz ideia de quem ele é. Se a eleição fosse hoje, perderia a eleição.

O ministro da Infraestrutura Tarcisio Freitas é um nome em evidência por realizar muitas obras. É realizador e tem bom manejo político. Poderia ser um candidato alternativo, mas ainda tem muito que consolidar sua imagem como candidato provável.

Esperamos que apareça uma nova liderança e que tenha tempo para consolidar a imagem a até as próximas eleições. É o que o Brasil precisa e quem vier com estrutura eleitoral vai ser a opção com mais chance de vencer a eleição.