Brasil Descendo a Ladeira...

É estarrecedor e desanimador ver o Brasil onde se encontra. Um país que tem tudo para ser uma potência econômica sem práticas selvagens, terras férteis como dantes, onde plantando tudo dá e sobra. Tem um povo heterogêneo, com muitas raças e gostos, mas, com uma característica comum a todos (pelo menos até então): “todo mundo é gente boa.”

Somos o país das mazelas, da malandragem festejada, que gosta de levar vantagem em tudo, de desigualdades econômicas e sociais, e principalmente educacionais. Se tivéssemos um nível de escolaridade e cultura geral melhor, muitos e muitos problemas seriam resolvidos na origem. Mas, não! A imensidão dos nossos problemas se assemelha a extensão territorial e a teimosia do brasileiro, tão facilmente manipulado, ávido por uma liderança condutora e acima de tudo, redentora! Clamamos sempre por um salvador. Daí fica fácil abraçar lideranças populistas, seja de esquerda ou de direita, resultando no maior impasse da nossa história, com a nação divididas entre duas opções, comprovadamente impróprias para resolução e condução do país.

Historicamente vivemos entre isso e aquilo, variando segundo a necessidade da época. Fomos fundados como República, e primeiramente presididos por um marechal que de República sabia muito pouco. Passamos pelo populista e ditador Getúlio Vargas, pelo empreendedor Juscelino Kubitschek, mas incapaz de deter a inflação, e resultamos num Jânio Quadros, populista e desmedido, ou num sonhador sem pulso e apoio como Jango. Mergulhamos numa ditadura militar, com arroubos de salvamento, e herdamos um Sarney de muitos feudos e fedidos. Posteriormente assistimos o fracasso do populista sem base Fernando Collor, descamisado de projetos viáveis e tropeçou numa propina esmola. Passamos pelo intelectual e escorregadio Fernando Henrique Cardoso, que vaidoso e populista aplanou o caminho do operário Lula da Silva, o mais mentiroso e corrupto de todos dos últimos tempos. Com a sua devastação dos cofres públicos e da moral da Nação, propiciou a criação de um representante da direita reacionária, carregado de jargões e métodos populistas, um tal “fingido messias”, expectativa falsa de redenção. Da forma mais boçal bolsonarizamos o governo central.

Hoje, escrevemos a página mais triste da nossa história. O país é conduzido por um populista ditatorial, sem escrúpulos para atingir seus objetivos de poder. Entre impropérios e ameaças infundadas, Bolsonaro ameaça diariamente os outros poderes, provocando o judiciário, que também sem medidas extrapola seus limites, e refém do Congresso (que dividido, como a Nação), caminha aos tombos. Estamos diante do abismo, com a Nação ensaboada, deslizando na baba do quiabo imprudente, rumo ao fundo do poço.

O Brasil desce célere a ladeira. O resultado do mergulho na escuridão e obscurantismo político é imprevisível. Aos gritos de “Deus acima de todos” desliza para as larvas do caldeirão, repleto de conflitos por objetos miúdos e sem valor, pandemia, fome e morte.

Que os Deuses, laicos e independentes de outros credos, tenham pena de todos.

Vamos enumerar os problemas maiores, tentando, por método e medo, organizar as idéias. Quem sabe alguém venha nos restituir a sensatez.



· Polarização entre Direita e Esquerda Radical

Enquanto persistir este embate cego nada de bom virá.

· Guerra de informações falsas e tendenciosas: este é o expediente terrível da desinformação. É uma guerra de palavras irresponsáveis que conduzem os grupos\ gados para o confronto sem proveito.

· Insegurança Institucional: A falta de nitidez em relação a direitos e deveres das empresas, as constantes alterações em leis e marcos regulatórios, confunde a competitividade da economia, causando prejuízos aleatórios às empresas e investidores.

· Usurpação de Atribuições e Direitos: o Poder Judiciário se tornou um fator de insegurança jurídica, quando questiona leis aprovadas pelo Congresso Nacional. O STF, que deveria garantir e fazer cumprir as leis e a Constituição usurpa o direito dos legisladores, legislando, e muitas vezes em causa própria. Cassa decretos e atribuições do Executivo, atravessa atribuições do Ministério Público, fazendo o papel acusatório, assim como investigativo, atribuição da Policia Federal. Ou seja: Equivocadamente o STF investiga, acusa, processa e julga.

· Corrupção e Desapontamento: O governo Bolsonaro que pregou e chegou ao poder com um discurso anticorrupção, naufragou nesse item. Desde as acusações de crimes atribuídos aos filhos do presidente, como enriquecimento ilícito e insustentável, “rachadinhas” de salários de funcionários a ligações espúrias com milícias, até as bilionárias manobras naufragadas das vacinas. Surgem episódios diversos, desde o Ministério do Meio Ambiente, com fraudes de documentos, contrabando de madeira e especiarias, licenciamento questionáveis e ilegais para garimpo, extração de madeira e ocupação ilegal do solo, além de grilagem, invasão de terras indígenas, até corrupção atabalhoada e bilionária na compra de vacinas para a Covid 19. O Ministério da Saúde é alvo de muitas suspeitas e inquéritos, quando deveria estar cuidando a contento da Pandemia que já matou quase 600 mil pessoas.

· Degradação do Meio Ambiente: Pantanal e Amazônia agonizam com queimadas, extração ilegal de madeiras, desaparelhamento da fiscalização, contrabando de madeiras e fitoterápicos, e riquezas minerais.

· Nas cidades: a violência urbana, o tráfico de drogas e infiltração social agiganta-se. Violência contra povos indígenas e ribeirinhos, não são muitas vezes registradas.

· Pandemia e Desestruturação da Saúde: além da corrupção sistêmica que empobrece o Ministério, o atendimento do SUS é precarizado. O SUS sempre foi o que tínhamos de melhor. Entretanto, programas exitosos como o combate e tratamento do HIV, cada dia mais recebe agressões, retrocessos e cortes de verbas. Andamos para trás no programa contra o câncer, no atendimento a usuários de drogas e saúde mental. É uma lastima.

· Desemprego, subemprego, baixos salários e privilégios salariais de servidores públicos: funcionários fantasmas ou que raramente comparecem ao emprego ou não trabalham de forma alguma são comuns. Num quadro de incertezas quanto à validade de contratos, garantias de estabilidade dos negócios e investimentos, projetos são cancelados, as vagas de emprego não são criadas e a retomada do desenvolvimento social e econômico deixa de existir.


A ladeira é vasta, mas o inferno da pobreza generalizada é maior.