Assim Vai Ser Mole

Estamos próximos da eleição municipal; algo em torno de uns 75 dias. Em outras épocas havia uma fervura, interesses e disputas pelos votos... Hoje temos a sensação de caminhar num cemitério vazio ao entardecer. Marasmo e desânimo. Alguns dirão: é a pandemia... É sim, e todos os outros ingrediente e efeitos.

Presume-se grande ausência do eleitor fugindo das urnas preocupados com o contágio do Corona Vírus; especialmente os de mais de 60 anos. Niterói é uma cidade com expressivo número de idosos, o que dá importância a esses votos. Se os maiores de 60 anos se ausentarem da votação, o buraco nos números vai ser muito grande. Mudará o coeficiente de votos válidos, facilitando para quem tem menos eleitores. Dependendo de confirmação, teremos oito candidatos a prefeito em Niterói. Entretanto, pouco se ouve falar em movimentos eleitorais. A época de pré-candidatura é o momento dos acordos, alianças, busca de meios de sustentação, acertos com cabos eleitorais e líderes comunitários. Sei de tímidos movimentos, mas pra valer mesmo... Está parecendo um jogo de dúvidas e um esperando pelo outro para saber o que virá. Movimento efetivo mesmo só do prefeito Rodrigo Neves que já aglutinou quase duas dezenas de partidos na mesma aliança, em favor do Axel Grael. É cooptação em todo lugar, fazendo da “máquina municipal” uma locomotiva atropeladora. Pouco importa se alguns são pequenos e inexpressivos partidos e estas nominatas não serão campeãs de voto. Terão votos, que deixarão de ir para candidatos da oposição.

A intenção aparente da situação é de que quer vencer ainda no primeiro turno. O que, aliás, é o mais seguro. Segundo turno é sempre outra eleição e tudo pode acontecer.

A eleição de Axel Grael não é apenas a eleição do prefeito de Niterói. É ainda a certeza de ter um prefeito aliado na maior e mais expressiva cidade do Estado na próxima eleição para o governo do Estado. Rodrigo Neves trabalha, de forma pragmática, para seu projeto político pessoal de forma vigorosa. E a verdade, é que enquanto a oposição não se une e cada um cuida do seu ego inflado, Rodrigo faz, com muita eficiência, o “dever de casa” para atingir seus objetivos. Ele poderá ter percalços jurídicos, considerando as ações que correm na Justiça. Mas, acertadamente, ele corre atrás do que interessa, e nada me convence que ele não tenha feito um “grande acordo”. Basta ver a inércia e o silencio jurídico, e aqueles que se apresentam como “demolidores do prefeito”, todo dia aparece uma novidade, e que “a queda do Rodrigo é para as próximas 24 horas”. Enquanto eles especulam e acusam como cães que ladram, a caravana do Rodrigo Neves passa, e atropela. E já estou saturado de ouvir falar da fortuna escondida nos bancos do Panamá. E que o Paulo Bagueira dorme todo dia em motéis com medo da Policia Federal que vai chegar ao amanhecer. Estou ouvindo esta ameaça desde quando ele estava prefeito na ausência forçada do Rodrigo. Entretanto, o tempo passou, Rodrigo voltou, e com muito mais entusiasmo; o Bagueira ficou deputado, voltou a ser vereador, mais ou menos presidente da Câmara novamente, e estamos todos no mesmo marasmo... E a oposição insiste que o Axel Grael será submisso ao prefeito, e que Rodrigo continuará mandando na prefeitura na próxima gestão. Quanta bobagem...

Vamos raciocinar: o Axel Grael vem de uma família de renome internacional, estão acostumados a serem festejados e até mesmo bajulados. A origem é a mais burguesa possível, incluindo um Yacht Club nas franjas da sua varanda. É absolutamente irrecusável a “arrogância dos príncipes do lado Schmidt”, tricampeões mundiais da classe Snipe, tios de Axel Grael. A família Grael, de origem dinamarquesa, possui oito títulos mundiais no iatismo, sabidamente um esporte de ricos. Fala-se da “dinastia da família Grael”, que sugere algo como um principado. Como alguém criado numa família assim poderia ser submisso e dominado, ainda que esteja no PDT? Só fala isso do Axel quem não o conhece. Ele tem fibra própria e nariz em pé. O fato de ser ciente de hierarquias óbvias e seguir trabalhando no seu patamar não o transforma num “capacho”. Que se fale de outras dificuldades relativas ao Axel considerando como referência Rodrigo Neves. Dizer que o Axel é de difícil contato e de pouca conversa, é também uma expectativa equivocada. É que, considerando a fluidez automática, e ausência de limites para fazer promessas do prefeito, qualquer um que chegue após, vai parecer mudo. É que Rodrigo não conhece e nem respeita qualquer limite. Joga com todas as cartas, pesado e sabe jogar. Acho bom descer do salto e considerar as habilidades do opositor Axel Grael. Caso contrário, não vai haver nem segundo turno.

O que me parece evidente é que Rodrigo Neves, inteligentemente, não quer mandar em ninguém, muito menos no Axel. O que ele quer (se seu candidato ganhar) e acredito que o Axel fará, é o apoio da prefeitura de Niterói, com sua máquina, na eleição para governador. Ele vai “deixar” Axel governar, com uma única exigência: acolher seus protegidos, ainda que sejam pessoas frágeis, respondendo a processos como André Felipe Gagliano Alves, ou ainda a anti-social Bárbara Siqueira.

Esta é a radiografia simples que a improvisada e desconectada oposição se nega a ver. Acorda Oposição! Abandonem as teorias estéreis e venham para uma luta que possa enriquecer o debate político, pensando realmente na cidade e no seu povo.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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