Ameaças e Violência nas Campanhas Eleitorais


Não é incomum que em campanhas eleitorais existam estranhamentos entre cabos eleitorais e adeptos de um candidato contra outro. Entretanto, quando a temperatura sobe demais e chegam às vias de fato, a preocupação aumenta, visto que podem descambar para o uso de armas, especialmente as de fogo. Nessa campanha curtíssima, onde nota-se um esvaziamento financeiro, salvo candidatos da situação, (que dispõem da máquina pública, e que invariavelmente se excedem), ou outros “abastados sem justificativa legal”, que ostentam maior intensidade com o aparente efeito visual que apresentam, com tantos apoiadores remunerados. Realmente são poucos candidatos com dinheiro. Essa história de financiamento público de campanha, definitivamente, só contempla os “caciques” dos partidos, que invariavelmente controlam tudo, beneficiando a muito poucos.

É muito simples. É só observar campanhas das capitais e compará-las com as do interior. Esta campanha 2020 é totalmente atípica e nervosa. Além de ser muito curta, está no meio de uma pandemia, apesar de vermos candidatos negacionistas transitando sem máscaras ou qualquer aparato de segurança. E o pior é que condicionam a todos apoiadores a seguirem as mesmas diretrizes, subestimando o perigo, e podem estar se contagiando e contagiando outras pessoas.

Nesse final de semana, na Engenhoca, ocorreu um embate entre apoiadores dos vereadores Cariello e Gallo, onde num vídeo postado nas redes sociais, via-se a turma do Cariello perseguindo uma camionete que carregava alguns apoiadores do Gallo, que foram atacados com açoites de paus de bandeiras. Até aí, o fato por mais indevido que seja, as conseqüências foram mínimas. Mas, o vereador Gallo, num vídeo postado em redes sociais, fez acusações mais graves. Disse que seus apoiadores, ainda muito jovens, foram ameaçados de morte se retornassem ao local. Ele ainda disse que iria apurar o fato e que se confirmado tomaria medidas legais.

O vereador Renato Cariello, através de um comunicado, disse desaprovar qualquer tipo de comportamento violento, e minimizou o fato, sem maiores conseqüências, além do aspecto moral da intimidação.

Na semana passada, numa rede social, alguém “disse” para o vereador Paulo Eduardo Gomes, que “eles” (a esquerda) eram uma doença, mas, que as balas, devidamente aplicadas, seriam o “remédio”. Por maior que seja a bravata intimidatória, nunca se sabe. Haja vista o assassinato do vereador Lúcio do Nevada, de Niterói, no início desse mandato em curso; e que até hoje o acusado de ser o mandante do crime, que era o primeiro suplente e interessado, continua vereador e é novamente candidato. A vereadora Mariele, e outros tantos, vereadores e jornalistas de Maricá e São Gonçalo, são provas de que ameaças se cumprem. E a grande maioria ficou sem solução, a impunidade venceu; e quem está morto, deixou órfãos e perdeu tudo.

Sei que em política tudo se usa e aplica-se, ainda que alguns métodos e comportamentos sejam abomináveis. Felizmente existem diferenças.

Tenho grande de admiração por Tânia Rodrigues, que tem deficiência física, fato que não a impediu de formar-se em medicina, construído e dirigido uma instituição em defesa de deficientes físicos, ter sido excelente vereadora e deputada estadual, ou ainda, secretária Municipal de Acessibilidade , sem usar este sentimento nefasto chamado autocomiseração. Ela nunca usou a deficiência como meio para atrair piedade, dela tirar proveito e fazer rendimento, com coitadismo, ou autopiedade chantagista. A Tânia, que novamente é candidata a vereadora, está fora desses meandros, o que não se pode dizer de outro vereador, que costuma auto vitimar-se para auferir benefícios eleitorais. Desejo firmemente que a Tânia Rodrigues seja vitoriosa, e por puro merecimento e atividade positiva.

Quanto a Paulo Eduardo Gomes digo que não deve subestimar qualquer ameaça. Deverá tomar todos os cuidados, para poder continuar na sua luta digna de aplausos.