Aglomeração e Concentração (de Riquezas)

Temos ouvido com freqüência que na atualidade a aglomeração humana é um fator determinante para contrair Covid 19. Entretanto, falta ao poder público maior efetividade nas ações de fiscalização, principalmente no transporte urbano. Não podemos e não devemos nos aglomerar num bar, na praia, nas praças, onde o ar livre faz toda diferença. Mas, nos ônibus lotados, pode? Contraditoriamente, as empresas de coletivos urbanos, injustificavelmente reduziram o número de carros, além de demitirem motoristas e cobradores livremente. E esta não é uma realidade apenas da cidade de Niterói. No Rio de Janeiro está acontecendo o mesmo. É claro que falam a mesma linguagem de um país chamado “cartel”.

É incompreensível a ganância dos empresários de ônibus e a inércia parceira das prefeituras, que nada fazem para mudar este estado de calamidade. Estas empresas sempre ganharam o que quiseram, e através de prováveis subornos, mandam e desmandam nos prefeitos.

No caso de Niterói é gritante e inconcebível. Eles virem cobrar por um serviço que não prestam (pelo menos no momento, onde as escolas estão fechadas.) com uma falácia de “adiantamento por conta”, do transporte dos estudantes das escolas púbicas. Este comportamento irreverente dos empresários nos faz crer que quem manda mesmo na cidade são eles. Afinal, a prefeitura de Niterói, além de fazer todas as concessões não fiscaliza nada, e obedece de forma subserviente. Se não tem transporte de estudantes, qual a razão de receberem em torno de um milhão e meio, como adiantamento do serviço não prestado? É notória a “obediência” do prefeito a estes representantes do consórcio dos transportes. Já foram até presos juntos... Certamente são demasiadamente “íntimos” e parceiros. Empresários de ônibus só tiram e exploram e não contribuem com nada para sociedade. Talvez eles considerem que as “contribuições” que fazem aos políticos os autorizam a mandar em tudo, demitindo funcionários no meio de uma pandemia, com seus agravantes efeitos sociais.

Concessão de transportes é só uma permissão de uso e exploração de um serviço. Mas têm suas condições. Se a concessionária não presta o serviço com deve, que se faça uma nova licitação das linhas em questão, e troquem os concessionários. Um prefeito, livre de “amarras e favores” tem o poder de colocá-los contra a parede e determinar que o serviço seja correto e que beneficie a população, que em última análise é a real “patroa” dessa situação. São nossos impostos que sustentam a maioria dos serviços públicos.

É tudo muito desigual e injusto. As empresas de ônibus se locupletam a vida toda. Num momento de dificuldade, que deveriam estar dando uma retribuição à fortuna que recebem se fazem de vítimas e vêm de pires na mão pedir ajuda financeira...

Isso é caso de o MP intervir e mandar ajustar a conduta. Concessionário presta serviços, que devem ser os melhores possíveis. Nada de “amizades e parcerias” interesseiras. E o prefeito deve dar-se ao respeito de honrar a delegação que a população lhe deu para administrar e proteger o interesse coletivo. Nada de compadrios e prêmios de consolação. A cidade de Niterói clama por um serviço de transporte descente adequado às suas necessidades. Não precisa de favores e nem de justificativas cheirando a propinas. Os concessionários do transporte coletivo têm que usar toda a sua frota para transportar passageiros em limites seguros, observando-se o distanciamento indicado pelas autoridades sanitárias.

No mais, estaremos andando em círculos e não chegaremos a lugar algum, exceto alguns que se mudarão para um cemitério ou crematório; enquanto os empresários de ônibus ficam cada vez mais ricos e prepotentes.