Acidentes à Vista e Mortes com Prazo

Antes do mundo se acabar, tenho muito medo que a concessionária Barcas S/A  venha ser a protagonista do maior acidente com vítimas de um transporte marítimo de passageiros da história do Brasil.

Infelizmente não precisamos estar tomados por adivinhações ou possuir dons especiais ou bola de cristal para prever este tipo de futuro: está na evolução dos acontecimentos, principalmente este último, com mais de 50 feridos.

É público e notório que as agências reguladoras funcionam como cabides de empregos para o executivo e acabam abrigando pessoas que estão intimamente ligadas àquelas empresas que deveriam ser fiscalizadas.

É uma questão de ética. Aliás, ética é o que mais falta neste país permeado de corruptos e corruptores.

Estamos nas mãos de pessoas que não se importam com você, caro leitor. O próprio governo já é seu inimigo em todas as instâncias de sua vida.

Portanto, assistimos a tudo com passividade, com o catamarã perdendo a direção, catamarã quebrando no meio da baía de Guanabara e, por último, barca batendo violentamente contra o píer da Praça XV.

Como não existe concorrência, algo imperdoável em transportes e em muitos outros setores, ficamos à mercê da ineficaz e maldosa Antaq e da uma única empresa que carrega a população de Niterói naqueles poucos barquinhos medíocres e sem ar condicionado, a Barcas S/A, filha inerte da gigante 1001 (quantas saudades dos bons serviços rodoviários!).

Por que não se concede o transporte a mais uma empresa para criar concorrência? Por que não permitir o serviço de velozes taxi-boats para até 20 pessoas? Por que não se construiu mais uma ponte sobre a baía, com metrô?

O povo de hoje em nada se parece com aquele que incendiou a Estação em 1959, em protesto pelo descaso com os passageiros, já que temos que nos defender, em primeiro lugar, dos assaltantes e bandidos em geral. Por isso, parece que estamos anestesiados, quando estamos somente cuidado de nossa segurança em primeiro lugar.

O mesmo acontece hoje, com falta de catamarãs, falta de conforto, filas e mais filas, calor sufocante...  Somos tratados como gado, já reparou? Abrem-se as porteiras e saímos como bois e vacas para o abatedouro.

Um acidente fatal vai acontecer. Depois, já sabemos de cor: Sergio Cabral vai chorar para as câmeras da Rede Globo; o secretário de transportes vai dizer que irá “apurar sem descanso as responsabilidades”; Dilma vai pedir um minuto de silêncio e as televisões sensacionalistas irão ficar semanas faturando e mostrando enterros e o sofrimento dos familiares.

E nós, cidadãos de bem, seremos enganados mais uma vez.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

2019 | Design By Stilo