A Trapaça dos Celulares

Uma das maiores armas da ditadura militar que dominou o Brasil nos anos 60/70 e parte dos 80 foi o controle das telecomunicações.

A arma era ter o controle estatal da telefonia, radio e televisão, sendo que as duas últimas passavam pela censura, cuja ditadura implantava um censor de plantão, lendo, assistindo, ouvindo e dizendo o que poderia ir ou não ao conhecimento do povo.

Fora isso, a comunicação por telefone era considerada um perigo para o regime, pois grupos poderiam facilmente se organizar em pouco tempo contra o Estado e etc. Além disso, como controlar as escutas dos “perigosos” comunistas, tidos como uma real ameaça à ditadura de direita.

Então, desde aqueles tempos de chumbo o Brasil vinha sendo uma nação cuja telefonia tinha o controle estatal, com a CTB e depois, em 1972, com a Telebrás. O serviço de péssima qualidade tinha contornos de maldade. Lembro que para fazer uma ligação de Niterói para o Rio tínhamos que discar um número antes e aguardar o sinal. Mas, para ligar do Rio para Niterói, cariocas tinham que pedir um “interurbano” à telefonista. Não podemos esquecer que ao tirar o telefone para discar, não havia linha, ouvia-se um sinal de ocupado em grande parte das vezes. E isso perdurou até os anos 80, muitos irão se lembrar.

Os reflexos maléficos do controle governamental da telefonia no Brasil não terminaram somente com o fim da ditadura, mas vingaram até que as privatizações foram incrementadas pelo governo do presidente Fernando Henrique. A própria Telebrás foi privatizada em 1998, juntamente com a Embratel. 

A partir daí muita coisa mudou para melhor, mas não evoluiu o suficiente. Com a vinda definitiva dos celulares, a telefonia fixa pisou nos freios e os celulares se multiplicaram vertiginosamente.  Contudo, com o afrouxamento do governo Lula na fiscalização das Teles, o lucro voou solto e o investimento foi praticamente abandonado. Não posso deixar de ressaltar que pagamos a conta de telefone mais cara do mundo.

As empresas TIM, CLARO, OI e VIVO dominam os horizontes da telefonia, com gordurosos lucros e prestando um serviço de 5ª categoria. Tudo isso diante de consumidores que reclamam, mas não se revoltam e pouco podem fazer, na verdade, pois para provar judicialmente que o serviço não era prestado normalmente teriam que pedir uma custosa perícia e nem preciso explicar o tempo que poderá levar até a sentença porque o processo terá que rolar na justiça comum, pois em Juizado Especial não é cabível o procedimento pericial.

Contudo, o cenário de péssimos serviços se agravou de tal forma que no Rio Grande do Sul o PROCON resolveu reagir tentando proibir a venda de novas linhas, o que se alastrou por todo o Brasil tendo que a Anatel tomar a frente do assunto, punindo as empresas para passar a imagem de que está “junto ao povo”.

A falta de investimento das telefônicas em novos equipamentos, antenas e atendimento ao consumidor jamais será justificada com a verdade. A TIM precisa enviar os lucros para a sua sede, assim como a Claro e a Oi possuem a mesma missão: salvar a sede da multinacional devido às crises na Europa e EUA.

E nos pagamos o pato, infelizmente. Creio que a medida de proibir a venda de novas linhas deveria ser mantida pelo tempo suficiente até a instalação e funcionamento dos novos equipamentos. Não basta ficar oferecendo à Anatel projetos e dizendo que irão investir bilhões de reais. Tem que mostrar um serviço bom, de qualidade, e provar que investiu e não que irá investir.

Isso serviria até para os bancos.  Muitos não reduzem os juros para poder enviar fantásticas somas para a sede na Europa. E ainda anunciam que abrem uma agência a cada três dias... Nós, brasileiros, é que pagamos. 

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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