A Tal da Impunidade

Todo mundo que mete a mão no bem público confia na tal da impunidade. A bem da verdade, vivemos num país de penas ficcionais. Alguém reparou nas penas previstas para o pessoal do mensalão? O indivíduo, como Marcos Valério, teria que viver várias encarnações para pagar, metade das penas previstas. A contradição do Duda Mendonça ser mais penalizado que o Zé Dirceu, que todos sabem, era o gerente de tudo, pois o grande chefe todo mundo também sabe que é o outro. Mas, como isso vai enrolar para cá e para lá, no final vai haver prescrição das penas. Vai ficar tudo como “dantes do Reino de Abrantes”. Nenhum destes criminosos vai para cadeia. É uma questão de grana mesmo. Pode pagar... Vai partilhar parte do roubo... Não falta quem queira, e ninguém vai preso, exceto os pobres. Basta olhar as cadeias. Tem gente com pena vencida e continua preso só porque não existe quem o socorra e nem dinheiro para pagar a quem deveria socorrer pela força da lei e da dignidade humana.

Aí, derrubam o Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, porque o filho não pode explicar a repentina riqueza. Entretanto, ninguém pergunta sobre a riqueza, mais que repentina (e deixa o filho do ministro na condição de pobretão), do filho do Lula; até mesmo dos filhos do Sarney, do Zé Dirceu e outros filhos da... Deixa para lá...

Aqui na cidade de Niterói, se alguém sério fizesse a conta, não ia dar certo o resultado. Conheço muita gente que vivia no meu escritório pedindo para “arranjar”  alguma coisa para ganhar um dinheirinho, em total estado de penúria. Hoje, quem fica em estado de penúria são os cofres públicos. “Arrestaram” tudo!

E a Receita Federal?  Para o cidadão comum, trabalhador, profissional liberal, é sempre visto como suspeito de sonegação se apresentar mais de um recibo de despesas médicas, de um terapeuta ou fisioterapeuta. É tratado como um rigor de fazer tremer os integrantes do Comando Vermelho.

Mas os nossos “administradores” são protegidos e ungidos, por ábacos do capeta, que fazem contas inexplicáveis que todos os agentes fiscais se “iludem” e aceitam. Um estado mercantilista que cria leis para beneficiar sempre quem tem muito: leis de impunidade para quem pode pagar fianças milionárias.

Um sujeito bêbado mata uma jovem advogada como o seu indescritível Porche de 600 mil reais a 150 km por hora. Paga 300 mil de fiança ao “estado arrecadador” e se configura a liberdade, a impunidade e a falta de alguém a quem possamos nos socorrer.

Frase premonitória do Chico Buarque de Holanda. Neste estado de coisas: Chame o ladrão... Chame o ladrão!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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