A Propósito do Dia dos Pais

Ser pai transcende qualquer definição. Alias, a experiência de ter um filho, é única. E não estou me referindo a filhos biológicos. Na verdade, acredito que a ligação entre um pai e um filho não venha apenas dos laços sanguíneos. Vem de um amor inenarrável que liga duas pessoas com um vínculo que transcende a amizade ou qualquer outro tipo de sentimento. É algo que inclui doação, entrega, devoção. É pleno, é puro e é eterno!

Vejo isso na minha própria vida. Fui abençoada com pais presentes e muito companheiros. Sinto como eles olham pra mim como continuação de suas jornadas. E fazem isso de uma forma muito especial. Percebo quantas coisas eles renunciaram para que eu realizasse meus desejos. Ter um filho, planejado ou não, é um processo transformador na vida de qualquer pessoa. Porém, cada uma delas vive essa metamorfose de uma forma diferente, numa intensidade diversa, em um momento pontual de suas vidas. As contingências mudam, mas o resultado da experiência é, em geral, um forte amadurecimento, desencadeado pelo sagrado milagre da vida. E, por ser um tema tão delicado, a maternidade/paternidade deve ser abordada de forma muito delicada. Sim, obviamente, é possível fazer brincadeiras e críticas a respeito. Mas, mesmo quando a ideia é construir apenas uma comédia romântica, é extremamente complicado acertar o tom num tema tão belo e, ao mesmo tempo, polêmico. Ainda mais quando o filme pretende ser inspirado no livro de auto-ajuda homônimo que é best-seller no mundo todo: "O Que Esperar Quando Você Está Esperando" ("What to Expect When You're Expecting", no original).

De fato, quem já teve contato com este livro, percebe que o mesmo não foi concebido no intuito de tornar-se uma obra cênica. Senti, inclusive, um esforço tremendo dos realizadores de fazer o filme dar certo – sim, isso é importante, porém, não se deve apelar! Os mesmos acreditaram ser necessário incluir diversos atores famosos no mesmo filme. Entretanto, fama não é sinônimo de talento e quantidade não é sinônimo de qualidade! Além disso, trataram de abranger o maior número de casos possíveis e imagináveis envolvendo gravidez, relatados no livro, visando, com isso, atrair um público numeroso. E, ainda por cima, para imprimir um tom “leve” no filme, tentaram fazer comédia relatando diversos clichês do cinema. O resultado? Um filme raso, repleto de histórias superficiais paralelas – que não conseguem se entrelaçar - e que não convence. O filme é dirigido por Kirk Jones que, para quem não sabe, já acertou na direção ("Nanny McPhee - A Babá Encantada" e "Estão Todos Bem") antes de cometer o erro de tentar filmar este livro de auto-ajuda. Infelizmente, não é possível tecer nenhum elogio para a atuação de Rodrigo Santoro (que estampa, sozinho, o pôster nacional do filme). Rodrigo tem um inglês bom... Mas não convence na interpretação. Está lindo, mas não "está" no filme. O que acaba prejudicando a atuação de Jennifer Lopes, seu par romântico na história. O casal não tem química alguma, o que torna as cenas dos dois as mais chatas da película. Mas nem tudo está perdido! Elizabeth Banks dá vida a uma mulher que deseja – e muito – ser mãe. Contudo, sua personagem não imagina os problemas pelos quais irá passar durante a gravidez. Destaque também para – a pouco conhecida, porém, ótima atriz – Rebel Wilson ("Missão Madrinha de Casamento"), que encarna uma vendedora de uma pequena livraria infantil. Suas cenas, mesmo curtas, encantam!

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