A Próxima e Dura Eleição

As eleições municipais já têm novas datas marcadas. O 1º turno será no dia 15 de novembro e o 2º turno dia 29 de novembro. Realmente serão as eleições mais difíceis dos últimos tempos. Mudaram as regras e serão possíveis apenas as coligações partidárias para o cargo de majoritário (prefeito). Ou seja: acabou aquele artifício de um candidato a vereador sem expressão eleitoral, pegar carona nos votos de outro muito bem votado. Antes, os votos de todos os candidatos eram computados num montante único, e divididos internamente entre os mais votados; por exemplo: cada 14 mil votos elegia um vereador. (que é um coeficiente da divisão do total de votos de município em relação às 21 cadeiras). Um candidato conseguia 6 mil votos era o mais votado entre todos no seu partido. Outros conseguiam 1.500 outros 700 votos e outros até 250 votos apenas. A soma de todos os votos (pertencentes à legenda) determinava quantos candidatos elegeria. Suponhamos que a soma total desse 42 mil votos. Elegeria 3 candidatos. O bem votado de 6 mil votos e mais dois. O 2º lugar que teve 1.500 votos e um 3º que teve 700 votos. Era aquela farra de ter um “puxador de votos” e outros tantos pendurados nessa votação geral. O sistema era inteiramente injusto. Em outro partido tinha um candidato que teve 3.500 votos, mas, o seu partido, no total, não atingiu o coeficiente de 14.000 votos necessários para eleição de um representante. Sintetizando, um candidato se elegia com 750 votos, em detrimento aos 3.500 do outro. Agora é cada um por si. Eleger-se-á quem tiver mais votos, independente dos milhares de votos de um “puxador”. A moleza acabou e as nulidades estão com os dias contados. As legendas menores terão direitos aproximados.

Quando dizemos “nulidades” é porque elas existem em grande número, infestando as Câmaras de verdadeiros parasitas, que muitos passam a legislatura inteira sem apresentar um único projeto, e sequer fazem uma fala na tribuna. Entram mudos e saem calados recebendo seus salários, pagos com o dinheiro público, para nada fazerem e muitos ainda se vendem para o executivo para votarem favoravelmente projetos oficiais, proteger os desmandos, colaborar com a ineficiência e tantas vezes com a corrupção. Isso n se acrescentando todo custo da manutenção do gabinete e assessores. Acreditamos que nas próximas eleições, na Câmara de Vereadores de Niterói, a renovação poderá chegar 50% ou mais. Dos que existem, irão ficar os que dispõem de esquemas eleitorais, que dominam certas áreas e passaram seus mandatos cuidando dos seus eleitores; realmente representando os interesses e direitos dessa gente. Outros, que dispõem de muitos recursos financeiros, farão como sempre: vão declarar para Justiça Eleitoral, (tudo muito bem arrumado) um valor dentro da absoluta legalidade, e por “debaixo dos panos”, aplicarão grandes importâncias frias, em campanhas não muito republicanas, onde vale até a compra de votos através de líderes (alguns até religiosos); melhorias em propriedade ou de domínio de Associações de Moradores, comunidades populares, ligas de futebol (com doações de padrões de camisas, chuteiras e bolas), e até mesmo financiamento de times, bailes em favelas; quando não fazem acordos com líderes criminosos em favelas. Num Estado Democrático é preciso estar vigilantes em relação a estas pessoas indesejáveis. É necessário lembrar que se eles ocupam uma cadeira na Câmara, lhes serão dado poderes e influência, e levarão, no mínimo, quatro anos, além de nada produzirem em benefício do município. Estarão usufruindo de gabinete, assessores, verbas de representação, que somadas custam muito dinheiro público, para fazerem uma política suja, oportunista, corrupta e muitas vezes criminosa. Um parlamentar é um representante do povo. Analisem esta frase como símbolo, e se perguntem quantos nessa casa legislativa de Niterói, realmente representam alguém, se não seus próprios interesses e da sua “cambada”.

É claro que não são todos ruins. Temos bons vereadores em Niterói. Não são muitos, e até podemos contá-los nos dedos das mãos. Dentre o bom trabalho desempenhado alguns são opositores, uns dos outros, em tudo. Mas, independentemente da coloração ideológica, dentro da sua ótica prestam serviços relevantes ao município e seus munícipes. Estes bons vereadores são, felizmente, os que mais chances de reeleição. Vereadores como Paulo Eduardo Gomes (PSOL) e Renato Cariello (PDT), são dois bons parlamentares, muitas vezes em campos opostos, mas que têm atuação efetiva, e são conhecidos pela defesa de seus projetos e posições. São vereadores com reeleição bem encaminhada e com muitas chances de sucesso. O vereador Bruno Lessa teria grande chance de reeleição, pois fez um excelente mandato, mas apresenta-se como pré candidato a prefeito, e a sua disputa será outra. Paulo Bagueira, foi presidente da Câmara, esteve deputado Estadual e apresenta-se com pré candidato a vice prefeito na Chapa da situação. Milton Carlos Lopes – o CAL, chegou à presidência da casa, em substituição a Paulo Bagueira. Tem um eleitorado regionalizado, mas, pela passagem na presidência da casa, ampliou alguns espaços políticos e tem possibilidades de mais uma reeleição. Alguns vereadores, como Luiz Carlos Gallo, Beto da Pipa e Andrigo, passaram a maior parte do tempo dos seus mandatos como secretários municipais da administração de Rodrigo Neves. Retornaram à Câmara para disputar novos mandatos. Vão fazer campanhas atreladas à máquina municipal, o que não deixa de ser vantajoso. Os vereadores Carlos Macedo e Emanuel Rocha, Carlos Vaz (Casota), Leonardo Giordano e Paulo Henrique, possuem seus nichos de atuação e deverão usá-los como meios de obtenção de novos votos, para garantir a reeleição. Caso contrário, permitirão que novos candidatos se apossem e dividam seus eleitores. Os novatos, na grande maioria, não se elegerão, mais poderão atrapalhar e impedir a reeleição de quem já tem mandato.

Uma coisa é certa: é preciso melhorar o nível intelectual e produtivo da Câmara de Vereadores de Niterói. Esta dificuldade eleitoral será providencial. Assim acabaremos com mandatos que poderíamos chamá-los de “sem noção” e sem propósitos. O melhor simbolismo desses mandatos esdrúxulos é o do vereador Renatinho de PSOL. Ele certamente não sabe para que lado deva ir, fala sobre qualquer tema sempre com impropriedade, e quando tem que votar, vota contra o próprio partido e contra o líder da sua bancada, o vereador Paulo Eduardo Gomes. Para que os recursos públicos não sejam desperdiçados com “mandatos” como este (e que já se repetiu outras vezes), é nossa obrigação fazer alertas e por em discussão situações como esta. Já passou de todos os limites do bom senso. Recursos públicos são preciosos para que se desperdice em mandatos inócuos e que só beneficia a que os possui.

Quanto aos candidatos novatos, sugerimos que estudem muito o assunto. Um mandato é algo complexo, e por aí tem muita gente achando que é fácil e simples. Não é não, e uma eleição não é algo tão simples como se imagina. Muita gente se perde em ilações como essa de ser “candidato a vereador”. A decepção posterior a eleição é sempre muito cruel. Quem se imagina popular e seguro que os seus “amigos” certamente votariam sem pestanejar, se engana. Na hora da verdade a situação é outra.

Esta será uma eleição disputada voto a voto, sem muitas chances de “olho no olho” pelos limites da pandemia e principalmente o receio de muita gente tem de participar de aglomerações. Por mais que melhore a situação do contágio da Covid 19, ainda não teremos a normalidade, ou ainda que se diga um “novo normal”. Esta será a campanha através dos meios de comunicação, dos veículos na internet, que não é absolutamente o meio mais usual das camadas mais populares; que são os votos mais manipuláveis e imprevistos.

Para o bem de todos, sugerimos muita reflexão e calma. Vaidade e pretensão não elegem ninguém!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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